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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

12
Jul16

Os novos plagiadores

Maria do Rosário Pedreira

Todos sabemos como é difícil a um escritor desconhecido arranjar quem lhe publique o primeiro livro – e é certamente por isso que já há muitas empresas a fazerem dinheiro à custa disso, algumas das quais publicam tudo o que vem à rede desde que o autor financie a edição, nem que seja mediante a compra de um certo número de exemplares que cubra o investimento necessário para fabricar o livro. Mas nem toda a gente tem dinheiro para isso ou vai na cantiga, pelo que muitos dos que escrevem um primeiro texto, não conseguindo interessar nenhuma editora mais convencional, preferem apesar de tudo recorrer à auto-edição e divulgar ou vender a obra na Internet. Acontece, porém, que – sem o crivo de um profissional – podemos encontrar textos lastimáveis à disposição do público, gratuitamente ou a preços módicos, seja em termos de redacção, estrutura ou mesmo ortografia… Mas agora descobriu-se, além disso, que estes escritores que se auto-editam muitas vezes também plagiam os consagrados ou minimamente conhecidos com grande à-vontade. Nos Estados Unidos, parece que os escritores estão a braços com dezenas de situações em que alguém «rouba» os seus romances, muda uma coisa aqui e outra ali, superficialmente, e os vende depois como seus, alterando-lhes o título e fazendo crer aos leitores que se trata de uma coisa nova. No mundo de hoje, em que é fácil a qualquer um pôr um livro à venda na Amazon, têm-se repetido histórias deste tipo e descoberto, inclusivamente, que os pretensos autores se dão ao trabalho de cortar cenas mais picantes ou eróticas, como se fosse disso que devessem ter vergonha… Uma questão que, suponho, ainda vai dar muito que falar.

4 comentários

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    António Luiz Pacheco 13.07.2016

    Trabalho! Trabalho?
    Para quê? Se ninguém dá a hipótese de editar?
    Dou-lhe como exemplo eu mesmo - que não sou nem quero ser exemplo mas sirvo para ilustrar o que digo, pois é o caso que melhor conheço:
    - Levei um ano inteiro a escrever 1200 páginas, dando corpo, organizando o que reuni e fui esboçando por muitos anos. Ao longo desse ano não fiz práticamente mais nada, quase só escrevi, noites dentro e dias afora - foi muito trabalho, garanto.
    Resultado? Uma a querer que eu eliminasse as passagens que descreviam caça ou toirada... outra a querer reduzir, outra... já nem sei (curiosamente saíram-me sempre mulheres!) e por aí adiante, fóra as respostas que nem obtive... mas é assim que são as coisas e isso muitos sabem, editores ou candidatos a autor.
    Depois, foram meses a divulgar e a vender livros, eu-mesmo.
    E houve o antes, as muitas dezenas de livros que li, as consultas feitas ao longo de vários anos (quase uma vida), e claro, muitas páginas escritas e publicadas em revistas, digamos que a ganhar embalagem...

    Não é isto trabalho, trabalho, trabalho?
    Claro que nunca saberei se o que escrevi tem ou tinha algum valor.
    Para mim tem e para as 600 pessoas que me compraram os 1200 exemplares porque me responsabilizei... aliás nem sei se foram editados os outros 1200, pois nunca me foram prestadas contas, quando procurei por eles apenas disseram que o I volume está esgotado - ou nem foi editado?
    Das contas não quis e nem quero saber... fiz a minha parte e recuperei o que investi.

    Ando a cozinhar outro, é verdade, e provávelmente vai ser a mesma coisa!
    O gozo é meu, como conquistador do inútil que tenho sido. Não espero que o compreendam, porque a mim me basta.

    Perdoem estar a falar sózinho, mas sou mesmo assim, os ribatejanos abrem os braços à vida como aos toiros e aguentam os derrotes... porquê?
    Por uma volta à praça que dura um minuto? Vá-se lá explicar o que não tem explicação, apenas sentimento.
    Outros preferem ficar sentados à sombra, a bom recato e a fingir que são sensatos e sabem das coisas, a ver os outros e a ler os outros. Fazem falta, claro, sem espectadores nem leitores não valeria a pena representar nem escrever.

    Entretanto, fica-me a tal sensação de que alguém leu o meu livro e usou as minhas idéias, mas esse tem quem o publique ao contrário de mim, e quem o edite e reveja, mas não conhecendo o meu não lhe pode ter feito nenhum reparo - a despeito de haver a reserva legal e essas coisas que não me interessam, antes fazem rir, porque não terá sido assim tão ruim!

    Saudações inúteis cá da Cidade Morena - amanhã terei um dia complicado e este bocadinho, ao fim de horas de preparação, também me faz bem!
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    Cláudia da Silva Tomazi 13.07.2016

    Lembre-se estar à desenvolver um trabalho de escrita cultural importantíssimo e vá enfrente por construí-lo, aprimorá-lo e ser exemplo ser instrumento de perseverança de fé e de suas paixões a consistir neste seu patrocínio. Você merece ser feliz do seu modo e, defender tal estilo literário o valha suor e suas crenças donde libertárias.
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    António Luiz Pacheco 13.07.2016

    Partilho esse sentimento Extraordinária Cláudia e agradeço as suas palavras de quem me compreendeu!
    Não sou escritor-frustrado, longe disso pois nem sou escritor, tenho outra profissão onde também posso usar a minha natural tendência e o gosto de partilhar, de ensinar, de orientar, de formar, de opinar e ajudar a criar - é gratificante, creia, aliás a reunião de que falei ontem decorreu esta manhã e muitíssimo bem! Consegui passar a mensagem que preparei e foi bem recebida, sinto-me como se tivesse escrito um livro... enfim, um opúsculo!

    Saudações contentes cá da Cidade Morena!
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