Ouvir ou ler?
A revista Sábado trouxe recentemente um artigo sobre audiolivros, cuja pergunta de partida é se o futuro dos livros é ouvi-los. Louvo a existência de audiolivros por várias razões, sendo a mais importante o facto de constituir a forma mais fácil de fazer chegar a literatura a pessoas que não vêem ou que vêem demasiado mal para que a leitura as não canse. No entanto, conheço pessoas com boa vista que, trancadas durante horas em percursos diários esgotantes do subúrbio para a cidade, ouviram livros inteiros nessas viagens de pára-arranca; e tenho um amigo belga que fez um curso de espanhol elementar dentro do carro (a parte escrita ficava para depois do jantar). Os audiolivros hoje são bastante sofisticados e muitas vezes lidos por actores conhecidos (nos EUA, é comum) ou pelos próprios autores do texto (Rodrigo Guedes de Carvalho é a voz dos seus próprios audiolivros, por exemplo). Mesmo assim, acho que o cérebro de um leitor trabalha melhor e mais do que o do mero ouvinte de livros. É que a entoação com que as frases são lidas já dá indicações sobre estados de alma que, no texto escrito, estão ausentes e devem ser «fabricados» pelo cérebro do próprio leitor. Mas vale a pena fazer a experiência e, para isso, o artigo da Sábado, de que avanço a ligação abaixo, pode ajudar.
O futuro dos livros é ouvi-los? - Livros - SÁBADO (sabado.pt)

