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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

21
Set21

Para o outro

Maria do Rosário Pedreira

Num momento em que «receber o outro» está na ordem do dia, sobretudo pelo que aconteceu com a tomada do poder pelos Talibãs no Afeganistão, destaco um livro dedicado ao Outro, de um escritor italiano, Davide Enia, que resolveu levar a cabo uma tarefa invulgar (testemunhar dezenas de desembarques de migrantes na ilha de Lampedusa) e nos oferece um livro absolutamente imperdível, comovente e humano como poucos sobre a matéria. (Chorei em muitas páginas, e a tradutora, Tânia Ganho, também.) Misto de romance e reportagem, Notas sobre Um Naufrágio fala com todos e de todos: os que atravessaram vários países, e depois o mar, para chegarem à Europa em condições inimagináveis – rapazes feridos e nus, raparigas violadas e grávidas, crianças e adultos que viram morrer familiares durante a travessia; e dos que os ajudam a desembarcar – voluntários, mergulhadores, pessoal médico, a Guarda Costeira… No meio, fica o autor, para contar sem paninhos quentes o que realmente acontece em terra e no mar e como as palavras são manifestamente insuficientes para compreender os paradoxos do presente. Lampedusa é também o lugar onde se reinventa a relação de Davide Enia com o próprio pai, um médico recém-aposentado que o acompanha à ilha por mais de uma vez. Testemunharem juntos o sofrimento público e a tragédia dos migrantes ajuda-os a construir um diálogo privado completamente novo que substitui os silêncios do passado e mitiga a dor de ambos com a doença de um familiar muito próximo. Notas sobre Um Naufrágio é uma obra-prima que trata da  tremenda fragilidade da vida humana. Profundamente actual e necessário. O autor estará no FOLIO em Outubro.

Notas Sobre um Naufrágio.jpg

 

 

2 comentários

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    António Luiz Pacheco 21.09.2021

    Bom dia: comungo desse seu sentimento, Extraordinária Anónima.
    Pode parecer egoísmo, mas não é! Eu sei que não é... porque eu mesmo convivo diáriamente com esses horrores, que não consigo aliviar e nem fazer nada por eles.
    Tentei através de um romance que ninguém tem aceitado publicar chamar a atenção, de forma ténue, para eles... não despertou qualquer sensibilidade humana, artística (?), social, e certamente muito menos financeira. É assim que são as coisas, eu sei, não me queixo.
    Portanto ficam abertas as portas às grandes intenções e às causas que se abraçam (à distância sobretudo) , à indignação dos que vivem no seu conforto cómodo, mas que se indignam (claro). Nada fazem, mas indignam-se!
    Estou como a Cara Anónima, faço o que posso e está ao meu alcance, ao meu redor pois também não consigo ir mais longe, e, já tenho o bastante para me preocupar ainda com mais situações e casos.
    Gostaria de lhe transmitir que a compreendo e cumprimento-a, solidáriamente, cá da Cidade Morena.
    PS: Provávelmente vamos ser mal-entendidos e invectivados, mas é assim que são as coisas e o que acontece a quem tenha opinião, e, faça algo.

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