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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

08
Jul19

Passar ao lado

Maria do Rosário Pedreira

Foi logo desde a sua fundação – em 1944, ainda durava a Segunda Guerra Mundial –, que o jornal francês Le Monde (um dos mais respeitados internacionalmente) começou a publicar críticas e fazer destaques a livros. Recentemente, um artigo no mesmo jornal faz uma espécie de revisão da matéria dada e mostra as obras que, em cada ano, tiveram maior destaque. E, embora – como é natural – a tónica tenha sido dada ao «domaine français» (não só por chauvinismo, mas também), foram incluídas algumas traduções de autores de nomeada. Mas o que é mais curioso é que o Le Monde passou completamente ao lado de alguns livros que hoje têm uma importância indiscutível e marcaram a história da literatura, o que podia indicar que, entre tudo o que recebem, nem sempre os críticos intuem o que vai vingar e cativar a academia e os leitores. Camus – que recebeu o Prémio Nobel da Literatura com 50 e tal anos – é, por exemplo, um dos grandes ausentes. E, enquanto têm parangonas alguns livros de autores que foram rapidamente esquecidos, existem obras que tinham tudo para ter sido destacadas e não o foram: Moderato Cantabile, de Marguerite Duras, ou (pasme-se!) A Bela do Senhor, de Albert Cohen. Em relação a este último, o Le Monde deve ter ficado tão perplexo que até foi tentar saber o que pode ter acontecido junto do então responsável, e a resposta deste foi o mais sincera possível: «Preguiça.» Sim, o livro tinha uma lombada de 5 cm que metia medo, 800 e tal páginas em letra pequena, parágrafos longos e proustianos; além disso, era Verão, pedia-se qualquer coisa mais leve, e havia um apetecível livrinho de Françoise Sagan a piscar o olho entre os montões de pacotes com livros que as editoras generosamente enviavam. Foi simplesmente assim, em suma. Pode chocar-nos, claro, mas, ao msmo tempo, serve para nos «consolarmos» quando não sai uma crítica a um livro que nos parecia fundamental (mas era muito grande) e explica porque tantas críticas a livros pequerruchos (e importantes) saem quase logo a seguir à publicação.

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