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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

16
Mar18

Pau de dois bicos

Maria do Rosário Pedreira

Estive recentemente no Luxemburgo para participar numa espécie de entrevista ao vivo no Salão do Livro (o jornalista era José Luís Correia, que fez belas perguntas) e ir a uma escola falar com crianças portuguesas. Já tinha lá estado uma vez, há uma dezena de anos, e chegara à mesma conclusão: os meninos e meninas nascidos já no Luxemburgo falam um português excelente, o que não acontece, por exemplo, com os filhos de imigrantes portugueses em França ou na Alemanha, que comunicam na língua do país de adopção e cujo português (talvez seja o que ouvem aos pais) está já francamente aculturado. Noutra entrevista que me fizeram para a rádio, mencionei esta ligação das crianças às suas raízes e à língua materna num tom francamente elogioso. Porém, num encontro com um deputado eleito pelos portugueses residentes na Europa, a quem disse exactamente o mesmo, ele tirou-me a venda dos olhos: disse-me que, em muitos casos, o facto de  falarem o português sem interferências (do luxemburguês, do alemão, do francês) significava, infelizmente, que a integração não se tinha feito... Um pau de dois bicos, portanto.

 

 

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