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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

31
Out18

Pensar palavras

Maria do Rosário Pedreira

Ando o dia inteiro de roda de palavras, e um dia destes, ao ler um e-mail de um agente espanhol, olhei para a palavra castelhana «enlace» (que, no contexto, seria aquilo a que chamamos link, adoptando a palavra inglesa, mas que é «ligação, enlace») e perguntei-me porque seria que o «desenlace» de um romance se chama «desenlace», se é o momento em que todas as pontas se atam, e não aquele em que se desatam ou desligam… Não tendo chegado a nenhuma conclusão (a verdade é que também não dei uma importância desmedida ao assunto), encontrei pouco depois num texto os verbos «fincar» e «vincar» separados por meia dúzia de linhas e logo me pareceu que, quer porque as palavras fossem demasiado parecidas (a única diferença está na consoante inicial, surda num caso, sonora no outro) quer porque as acções carregassem ambas uma certa dose de força imprimida (para enterrar/cravar, para marcar/fazer o vinco), ambas deveriam ter a mesma origem. Mas não: ao que parece, «fincar» está mais ligado a «ficar» (ficar com muita força?); e de «vincar», enfim, pouco se sabe, o Houaiss diz que a palavra «vinco» tem origem obscura, embora já existisse no século XIII. Nada feito, às vezes o que parece não é.

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