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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

08
Out15

Pobres escritores

Maria do Rosário Pedreira

Tenho aqui referido várias vezes que Portugal, pela exiguidade do seu mercado, é um país onde é terrivelmente difícil viver da escrita (a menos, claro, que se seja uma estrela de TV transformada em escritor, mas os casos contam-se pelos dedos de uma mão). Porém, ao que parece, também nos países onde o mercado é substancialmente maior as coisas não andam de feição para quem escreve. Leio no Guardian um artigo que me informa de que, nos EUA, os rendimentos dos escritores desceram 30% em cinco anos (entre 2009 e 2014) e que muitos dos chamados «autores em full time» estão a receber mensalmente um valor que raia o limiar da pobreza. No entanto, não se vendem menos livros do que antes, a razão é diferente. Não só o aparecimento do digital favoreceu a pirataria (circulam pela net milhares de livros pelos quais os autores não recebem quaisquer direitos, tal como acontece, de resto, com filmes), mas também empresas dominantes como a Amazon levaram ao fecho de muitíssimas livrarias tradicionais, incapazes de concorrer com esses gigantes que, usando o seu poder, obrigaram os editores a aceitar condições que nunca aceitariam se não soubessem que, actualmente, sem a Amazon, iriam à falência. E essas condições leoninas passaram também do editor para o autor, que passou a receber menos direitos, sobretudo em edições que praticamente não têm custos, como os e-books, o que a Authors Guild considera profundamente injusto. Em Portugal, as vendas de e-books ainda não ameaçam o livro em papel, mas já existe bastante pirataria e é preciso estar muito atento ao que o futuro trará.

3 comentários

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    Anónimo 08.10.2015

    Viva!
    Na verdade, em 112 Prémios Nobel apenas 14 foram atribuídos a mulheres: uma diferença abismal.
    Este ano gostaria que tivesse sido a Joyce Carol Oates a recebê-lo.
    :-) Antonieta
  • Sem imagem de perfil

    Cristina Torrão 08.10.2015

    A diferença abismal vem do facto de as mulheres só começarem a ter acesso à cultura e a cursos superiores há relativamente pouco tempo (a um nível aceitável, só depois da II Guerra Mundial). Até aí, e apesar de haver exceções (pouquíssimas, onde se inclui aliás uma vencedora do Nobel da Literatura sueca, Selma Lagerlöf, em 1909, para não falar de Marie Curie), era muito difícil às mulheres destacarem-se em certos meios.

    Mas a Academia Sueca tem-se esforçado. Nos últimos anos, quase alternam os vencedores femininos e masculinos. E assim irá continuar, tenho a certeza ;)
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