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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

09
Set19

Portugal ao correr da pe(r)na

Maria do Rosário Pedreira

Se nunca atravessou o País de norte a sul – a pé, quero eu dizer –, pode fazê-lo agora por interposta pessoa e, além disso, guardando o encanto da literatura. Afonso Reis Cabral – um dos mais jovens romancistas portugueses, vencedor do Prémio LeYa com O Meu Irmão e autor também do romance Pão de Açúcar, sobre o homicídio da transexual Gisberta – saiu da sua «zona de conforto» e pôs-se a caminho de um livro de não-ficção sem o saber. O sonho era percorrer Portugal a pé pela mítica Estrada Nacional 2, o que fez com coragem e um par de ténis milagrosos, ora debaixo de chuva, ora debaixo de um sol ardente, ao longo de 24 dias; no fim de cada um, escrevia no Facebook o resumo da sua jornada, mas o resultado era muito mais do que um simples relato, porque estamos a falar de um Escritor com E maiúsculo; e, por isso, a sua bonita prosa foi convidando mais e mais leitores (muitos deles preocupadíssimos com as caminhadas diárias de 40 quilómetros e assustados enquanto o texto não aparecia, prevendo alguma tragédia) e desencadeando não raro cerca de 500 comentários ou mais. Nos dias derradeiros, quando Afonso se aproximava da meta, os seus leitores manifestavam já saudades daqueles textos e pena de que a viagem estivesse no fim. Por isso, não se podia deixar morrer ali a aventura. Agora, que tudo acabou (e bem), Leva-me Contigo – Portugal a Pé pela EN2 está aí, revisto, refeito, aumentado e ilustrado: é um livro que atesta a solidariedade dos portugueses (que deixaram almoços pagos a um rapaz que nem conheciam, lhe ofereceram iogurtes, lhe deram dormida, o acompanharam em alguns troços) e que vale muito a pena ler por todas as razões e mais algumas, incluindo porque pode lá estar a sua voz. Experimente e verá.

 

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3 comentários

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    Anónimo 09.09.2019

    É isso mesmo Artur, que saudades de Mário Soares, um homem com um extraordinário amor aos livros.
    Recordo aquele programa em que ele mostrava à Clara Ferreira Alves os seus livros na Casa do Campo Grande.

    Maria
  • Sem imagem de perfil

    Artur 09.09.2019

    A favor dos políticos atuais temos que ser justos e recordar uma recente sessão pública em Lisboa entre com António Costa e Juan Gabriel Vásquez em que dialogaram sobre um livro do colombiano ("O Barulho das Coisas ao Cair"). Bem interessante que é esse romance. Mas é o único exemplo de que me lembro e já estaríamos então em pré-campanha eleitoral...
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