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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

26
Jul17

Pré-leitores

Maria do Rosário Pedreira

Embora eu ache que o gosto pelos livros e pela leitura é uma lotaria – e esse clique maravilhoso nem sempre acontece, fazendo com que alguns desistam às primeiras tentativas –, os especialistas dizem que o primeiro passo para que uma criança se torne leitora é ler-lhe desde pequenina, desde o berço ou antes ainda. Normalmente, o que os pais lêem aos filhos são histórias, mas num recente artigo de Catarina Homem Marques no Observador – citando um outro do New York Times, de Pamela Paul e Maria Russo, especialistas em literatura infanto-juvenil –, aprendi que o mais importante de tudo é a cadência da leitura, e não o que se lê – e por isso, para os pré-leitores de fraldas e chucha, podem ler-se receitas de bolos, manuais de instruções de electrodomésticos, bulas de remédio ou dicionários, porque tudo serve; no fundo, é como uma música – e os bebés, já se sabe, gostam de música, mesmo na barriga das mães. Claro que ouvir não chega e, mais tarde, os outros sentidos também contam: deixar os bebés mexerem nos livros, virarem as páginas mesmo antes de os pais lhas terem lido, receberem festinhas enquanto é feita a leitura para a associarem a uma boa companhia e à presença de alguém querido, tudo isso, numa primeira fase, é talvez mais importante do que o texto propriamente dito. E esta, hein?

5 comentários

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    Anónimo 26.07.2017 13:17

    Realmente gente fina é outra coisa!
    Pelo que leio teve uma infância muito feliz, e ainda bem.
    Mas ser criado num ambiente tão culto não faz obrigatoriamente um amante da leitura - isso nasce com a pessoa.
    Mas isto é apenas a minha opinião, baseada em inúmeros casos que conheço de pessoas que, tal como eu, adoram ler e não tiveram qualquer incentivo para isso.
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    António Luiz Pacheco 26.07.2017 13:47

    Tenho evitado responder ou comentar anónimos... e de facto, dispensava-se o seu comentário inicial sobre a gente fina, mas se isso de algum modo o alivia de algo, fico contente por si!
    Vamos portanto deixar de lado a alfinetada e falar daquilo que aqui interessa e é o assunto:

    Discordo!
    O ambiente em que somos criados, e isto é da antropologia cultural, tem a maior importância na nossa formação!
    Claro que há excepções, mas não fazem estas a regra!

    Garantidamente a inclinação da minha irmã para o desenho a carvão teve a ver com ver e pintar com a minha avó... e não porque o meu pai a punha a pintar as letras no portão da quinta, se bem isto possa ter influenciado a sua ida para o IADE, anos mais tarde...
    A minha convivência com os livros e com pessoas que liam, que falavam das coisas que liam, fez-me a traça dos livros que sou e não tenho qualquer dúvida!
    Quem tenha nascido e sido criado sem qualquer contacto com os livros, difícilmente terá inclinação para eles...

    E como estamos num blog de leitura, há um livro da Condessa de Ségur, que me parece adaptar-se a esta discussão de forma lapidar: A Fortuna de Gaspar. Creio que é justamente nesta história de dois irmão filhos de um agricultor rude, talvez não tão desactualizada, que se vê a influência do professor, na influência a um dos filhos do camponês em quem alimenta a tendência para os livros e que se afasta da vida do campo!

    Mas esta é igualmente a minha opinião. Não me parece que tenha a ver com o acaso nem seja geração espontânea que se faz um leitor, tem de ser levado a isso, mesmo que fora da família, na escola ou de algum outro modo, porque houve algum contacto ou um qualquer despertar, até uma necessidade de se educar, instruir, evoluir. Tem que haver um motivo, não vejo ninguém, a fazer-se leitor só porque nasceu com vontade de ler...

    Saudações identificadas e de uma infância feliz, cá da Cidade Morena!
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    Anónimo 26.07.2017 14:16

    Não vejo motivo para se ofender, o António Luiz Pacheco pertence mesmo à "Gente Fina" - apenas quis brincar com o nome de uma série de tv já muito antiga.
    Eu, como já tinha dito mais acima, nunca tive livros infantis nem nunca me leram à noite, mas quando aprendi a ler, aos cinco anos, foi "tiro e queda".
    E bastava o livro da primeira classe para eu ficar encantada.
    Daí ter começado a ler o que havia lá por casa: Eça, Júlio Dinis, Ferreira de Castro, Dickens, Pearl Buck e até a Max du Veuzit, imagine.
    E toda a vida fui assim.
    E já ultrapassei os 60, já não vou mudar...
    Não se preocupe com a minha identidade (digamos que sou uma traça pobre) nem se dê ao trabalho de me responder.
    Saudações!


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    António Luiz Pacheco 26.07.2017 22:47

    Pelo contrário, Cara Traça Pobre, o que é infinitamente melhor do que pobre traça... e me perdoe por ter entendido mal o seu comentário, agradecendo que me o tenha explicado e desfeito está o mal-entendido!
    É o mal dos anonimatos, mas está visto que não são todos farinha do mesmo saco e me penitencio por tê-la julgado mal!
    Assim vale a pena conversar.

    Saudações tracejantes cá da Cidade Morena!
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