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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

13
Jan17

Premiar a persistência

Maria do Rosário Pedreira

Pouco depois de o poeta Vasco Graça Moura, uma espécie de príncipe da Renascença dos nossos tempos, ter morrido, foi criado, para o homenagear, o Prémio de Cidadania Cultural com o seu nome, visando pessoas especialmente activas e empenhadas na divulgação da cultura. Nesta segunda edição (na primeira o prémio foi entregue a Eduardo Lourenço), o galardão foi atribuído ao conhecido jornalista José Carlos Vasconcelos, um veterano da acção cultural, que o júri definiu como «um dos raros exemplos de persistência na imprensa portuguesa de âmbito cultural» e é, desde há muito, a alma do Jornal de Letras, Artes e Ideias, um das poucas publicações periódicas dedicada à cultura que tem conseguido sobreviver a todas as intempéries. José Carlos Vasconcelos é também poeta, com cerca de uma dezena de livros publicados, fez Direito em Coimbra, onde presidiu à Associação Académica da Universidade, foi chefe de redacção da Vértice, uma revista emblemática que haveria de dar a conhecer muitíssimos autores, e ainda actor do teatro universitário quando estudante. Depois ingressou na carreira jornalística – Diário de Lisboa, Diário de Notícias, O Jornal, Visão… – mas sem nunca perder o pé à luta pela liberdade de expressão, tendo sido dirigente sindical e presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa. A sua ligação ao Brasil é conhecida e, nesse âmbito, foi membro da Comissão de Honra das Comemorações dos 500 Anos da Descoberta do Brasil e é sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras. Tem 76 anos e continua a trabalhar todos os dias na divulgação de escritores e artistas de todas as áreas. Parabéns, José Carlos Vasconcelos, pela sua persistência.

3 comentários

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    António Luiz Pacheco 13.01.2017

    Extraordinário... e eu sempre a aprender!
    Caríssimo Octávio, eu confesso na minha enormíssima ignorância de traça literária assumida ignorar quem é José Carlos de Vasconcelos - jornalista... o que todos os outros Extraordinários parecem saber perfeitamente.
    Portanto e se assim o entender, poderá ser mais específico no que diz ao contestar a atribuição do citado prémio?
    Vasco Graça Moura eu sei quem foi, claro, e foi um nome grande na nossa cultura, sem qualquer reticência - até por ser contra o negregado AO!

    Um abraço cá da Cidade Morena.
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    Octávio dos Santos 15.01.2017

    Caro António Luiz Pacheco, respondo-lhe com a transcrição de um excerto do meu artigo «Língua-mãe... ou madrasta?», que publiquei no meu blog Octanas em (Maio de) 2013:

    http://octanas.blogspot.pt/2013/05/observacao-lingua-mae-ou-madrasta.html

    «... Hoje apenas um reles pasquim. Na mesma situação está o Jornal de Letras, Artes e Ideias, embora o seu "diretor" constitua um exemplo muito, muito pior; José Carlos de Vasconcelos integra(rá) em lugar de relevo uma "galeria da infâmia" dos que colaboraram mais activamente com os fascistas da ortografia; e a sua mais recente demonstração desse colaboracionismo está no editorial da edição (Nº 1110) do JL de 17 de Abril último, em que o Sr. Vasconcelos tem o atrevimento de, criticando a oposição à edição da obra completa do Padre António Vieira em obediência ao AO90, se referir à "cruzada de alguns opositores" marcada pela "cegueira" e pelo "extremo radicalismo"; o Sr. Vasconcelos deveria estar a olhar-se ao espelho (de uma janela?), porque os verdadeiros "radicais", os autênticos "terroristas culturais", são aqueles que alteram toda uma ortografia à medida dos seus caprichos e devaneios utópicos, sem qualquer correspondência com as necessidades concretas das nações e das pessoas que utilizam aquela.»

    Obviamente, nem sempre considerei o JL um pasquim, nem sempre considerei JCV um colaboracionista. Porém, tal mudou quando ambos se tornaram instrumentos da imposição - ilegítima, ilegal, inútil - do AO90. Este representa uma autêntica negação da cidadania, pelo que é absurdo e ofensivo atribuir ao Sr. Vasconcelos um prémio de «cidadania cultural», para mais ostentando o nome de Vasco Graça Moura.
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