Prémio Nuno Júdice
Ontem foi o anúncio da obra vencedora da primeira edição do Prémio Nuno Júdice, um prémio que foi criado para homenagear um dos maiores poetas portugueses contemporâneos, que nos deixou há cerca de ano e meio. Concorreram 222 livros, tendo, numa primeira fase, sido seleccionados 39 semifinalistas e, numa segunda fase, 5 finalistas. Tive o gosto de presidir ao júri, até porque era amiga pessoal de Nuno Júdice, e de trabalhar na excelente companhia da minha colega Cecília Andrade (que publicará a obra galardoada na Dom Quixote em Março de 2026, no encerramento das comemorações do 60.º aniversário da editora), dos poetas Filipa Leal e Ricardo Marques e da editora Sandra Mendes. Está de parabéns a arquitecta Carla Louro, autora de Entra-se na Casa pelo Pátio, o único livro que estava no topo das preferências de todos os membros do júri e que, por isso, ganhou por unanimidade. É um livro de alguém que sabe o que é poesia, um livro feminino sobre a maternidade (lembrando às vezes a querida Ana Luísa Amaral), o doméstico, o luto, o fazer do poema (o que honra o patrono!) e a comparação entre os poemas e as casas, com analogias e metáforas muito boas. É também uma obra redonda, arrumada, coesa como poucas, que se diria de alguém muito lido e experimentado nas lides da poesia, mas que é (que coisa bonita!) uma obra de estreia. Parabéns, Carla Louro, por este livro claro, mas nunca simplista; emotivo, mas nunca sentimental.

