Prémio PEN de Narrativa
Conheci o escritor Paulo Moreiras no princípio deste século, ainda eu estava na editora Temas e Debates e tinha então começado a publicar literatura portuguesa. O Paulo tinha ganho uma bolsa de criação literária para escrever um romance pícaro, um género infelizmente pouco cultivado entre nós, e apareceu na editora com aquela maravilha chamada A Demanda de Dom Fuas Bragatela, que tem mais de vinte anos de edição mas, graças a Deus, continua disponível no mercado. Foi um início brilhante, a que se seguirem romances mais curtos (Os Dias de Saturno, O Ouro dos Corcundas...) e obras noutros registos, como um delicioso livrinho etno-literário sobre a ginjinha, e um conjunto de Bilhetes de Identidade sobre coisas tipicamente portuguesas (o tremoço, a morcela, o palito...) que em breve coligiremos num só volume ilustrado. Mas hoje queria dizer-vos que o romance do Paulo que mais se parece com o inaugural, intitulado A Vida Airada de Dom Perdigote, com um fantástico trabalho de recuperação da linguagem e da dinâmica picaresca, foi este ano galardoado com o Prémio PEN de Narrativa, que vai ser entregue hoje às 17h00 na Torre do Tombo em Lisboa. Teremos o maior gosto em que apareça para felicitar o autor.


