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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

20
Fev19

Que coisa mais linda

Maria do Rosário Pedreira

Bem, não consigo esconder que, apesar dos malefícios do turismo para as nossas cidades (e já se estão a ver na expulsão de pessoas das casas que há tantos anos habitavam, por exemplo), gosto muito de saber que lá fora consideram Lisboa e o Porto alguns dos melhores destinos turísticos do mundo; chamem-lhe patriotismo. Um dia destes uma poeta mexicana (Blanca Luz Pulido) mandou-me um artigo que começava assim (não traduzo, pois creio que os Extraordinários perceberão): «En Lisboa todos sus moradores son agradables, son corteses, son liberales y enamorados, porque son discretos.» Julguei que era de agora que falavam quando avancei no texto, toda inchada, e dei com isto: «La ciudad es la mayor de Europa y la de mayores tratos, en ella se descargan las riquezas del Oriente y desde ella se reparten por el universo. La hermosura de sus mujeres admira y enamora.» Oh diabo... Reparando melhor, concluí que estas eram palavras de Miguel de Cervantes, calculem, escritas em Los trabajos de Persiles y Segismundo (1617), romance publicado em Lisboa e Madrid um ano depois da sua morte. Pois parece que o autor do Quixote andou por estas bandas a ver se arranjava um emprego na corte de Filipe II. E esta, hein? Parece que nem os especialistas sabiam quase nada da estância de Cervantes na capital portuguesa que, ao que parece, foi justamente onde se fez escritor. Que orgulho, não? Coisa linda mesmo.

 

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