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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

04
Abr18

Regressar

Maria do Rosário Pedreira

Já aqui disse – tenho a certeza – que, com todos os livros que ainda não li (e com tantos outros que tenho de ler profissionalmente no dia-a-dia), é mesmo raro eu regressar a um romance lido noutra época da vida (com a poesia, bem entendido, isso não acontece). Há tempos, como aqui contei, não resisti, porém, a Italo Calvino e ao seu brilhante Se numa noite de Inverno Um Viajante – e ainda bem! Mas a experiência do reconhecimento imediato e da satisfação plena que obtive com Calvino nem sempre se repete – e a reacção pode até tornar-se bastante decepcionante: porque já não temos aquela idade, porque a nossa cultura é outra e mais ampla, porque mudamos de gostos ao longo da vida… O que não muda, de facto, são os grandes autores; e, por razões que Vossas Excelências em breve saberão, precisei de regressar a um livro muito amado, pelo que, numa noite da semana passada, fui à estante buscar um velhinho romance de Marguerite Duras do qual guardava a mais poderosa das memórias. Trata-se de Uma Barragem contra o Pacífico, texto que conta muita verdade da vida da própria autora e da sua família na Indochina, para onde foram atrás da promessa de uma vida melhor. E tudo, mas tudo, o que lembrava ainda lá está intacto, exactamente como da primeira vez: e a primeira vez foi mesmo há muito tempo… Milagres que, por serem milagres, quase nunca acontecem. Leiam, se o encontrarem.

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