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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

02
Fev16

Renunciar

Maria do Rosário Pedreira

Vivemos numa Europa em decadência, mas ainda é a Europa em que podemos acreditar no Deus que escolhermos ou em nenhum. Na Arábia Saudita, um poeta palestiniano, Ashraf Fayadh, foi condenado à morte simplesmente por renunciar ao islão, e o seu pai morreu de ataque cardíaco ao ter conhecimento da notícia. Centenas de outros escritores juntaram-se então numa acção de protesto a nível mundial para o apoiar, realizando leituras públicas dos seus poemas numa campanha organizada pelo Festival Internacional de Literatura de Berlim. O objectivo principal era pressionar os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido para que intercedessem a favor de Fayadh, impedindo que as autoridades sauditas cumprissem a pena. Os poemas foram lidos na quinta-feira 14 de Janeiro em 122 eventos de 44 países numa acção convocada na semana anterior à divulgação do veredicto de um recurso interposto pelo poeta, no qual Fayadh argumentava que a sua condenação fora baseada em alegações falsas ou não provadas. No início do mês, os organizadores do Festival de Berlim enviaram uma carta a Barack Obama, David Cameron e ao governo alemão, assinada por 350 autores e associações, pedindo-lhes que interviessem no caso e que a ONU suspendesse a Arábia Saudita do Conselho de Direitos Humanos. Entre os autores que subscreveram o pedido estavam os prémios Nobel Mario Vargas Llosa e Orhan Pamuk. Até agora, nada. Que bom, enfim, ser escritor na Europa.

2 comentários

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    António Luiz Pacheco 02.02.2016

    Na minha opinião, a Europa faz aquilo que todos fazem ou gostariam de fazer... desde sempre!

    Invadir, ocupar e rapinar fazem todos os povos em todo o Mundo e sempre fizeram, é um facto histórico da humanidade. Logo porquê esse acto de contricção? Porque é europeu e tem essa noção, se fosse asiático, árabe, africano, índio ou indochinês não o faria porque isento dessa culpa, que acharia perfeitamente natural - desde que do lado do vencedor, é claro.

    Por isso, hipócritas, sim seremos dado que temos a noção do que fazemos. Mas porque havemos nós europeus de arcar sozinhos com as culpas de todos os males, como se fôssemos os únicos?

    Repito, porque somos conscientes, somos mais evoluídos, somos até livres o bastante para isso!
    Os demais povos que fizeram e fazem o mesmo, nunca e jamais o reconhecerão ou assumirão qualquer assomo de culpa...

    Mas, porque é que continuamos a viver na Europa então, se é assim tão má, desumana, reprovável etc? Pois porque só ela dá conforto, segurança e liberdade... não será? A velha prostituta afinal cuida dos seus filhos...

    Pela minha parte, pois estou fora dela se bem que não completamente... sei do que falo e tenho forma de comparar. Creiam que apesar de tanto mal que lhe apontam, a Europa é ainda a fonte onde todos bebem ... e ainda bem, pois é daqui que sai o pedido de indulto ao tal poeta que ousou desviar-se da corrente e foi condenado, suponho que não por razões de coitadinhismo ex-colonial de um pobre país ex-colonizado que a Europa lançou no obscurantismo ao explorá-lo...

    Saudações expatriadas de fora da Europa.
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