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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

08
Abr19

Ricardo Reis

Maria do Rosário Pedreira

O Ano da Morte de Ricardo Reis é o romance de Saramago de que, regra geral, os intelectuais mais gostam e aquele que ombreia com Memorial do Convento nas escolhas dos alunos do Secundário. Passados que estão 35 anos da sua publicação, vai tornar-se filme pela mão de João Botelho, experiente nestas coisas de adaptar literatura portuguesa (já o fez com Os Maias, de Eça de Queirós, e Livro do Desassossego, de Bernardo Soares, heterónimo de Pessoa). A rodagem iniciou-se no mês passado e o elenco vai contar com o actor brasileiro Chico Díaz no papel de Ricardo Reis, e ainda com Luís Lima Barreto como Fernando Pessoa, Catarina Wallenstein como Lídia e Victoria Guerra como Marcenda, entre outros. Prevê-se que o filme fique pronto ainda este ano. Na revista Blimunda, da Fundação José Saramago, diz-se que nessa altura poderemos ver como Botelho leu este romance que «tem como personagens um ano, uma cidade, um poeta, um fantasma, uma criada de hotel, uma jovem com um braço morto, um marinheiro comunista…». Pois, não vai ser fácil, mas vamos esperar o melhor. Só espero que os meninos do Secundário não vão ver o filme a pensar em escapar ao romance…

 

4 comentários

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    Fernando Costa 08.04.2019

    Grande observação, a da Cristina, não fosse uma escritora de âmbito histórico!
    Sobre o Ricardo e o Henrique, a peça de Shakespeare e a História, há sobretudo a lenda.
    Ricardo III e o tal Henrique (Tudor) defrontaram-se na famosa Batalha de Bosworth, em 1485.
    Facto histórico é a batalha, não as palavras proferidas pelo rei, que não sobrou para contar. Shakespeare,um século depois, achou que ele teria dito isso e levou à cena no acto Quarto da sua peça. isto significa que Ricardo III estava apeado, o que se certifica através da autópsia ao corpo: dois grandes ferimentos na nuca, compatíveis com golpes de uma alabarda e de uma espada; um terceiro ferimento penetrante, menor, no topo da cabeça. Se estivesse num cavalo, talvez a alabarda não o atingisse...
    De qualquer forma, é um pormenor,pois Saramago terá bebido através da peça.
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    António Luiz Pacheco 08.04.2019

    Interessante o pormenor da Cristina (Torrão) , que tem olho-vivo!!!!
    Interessante o detalhe da autópsia que nos traz (escrevi bem!) , mas note que a alabarda servia exactamente para desmontar os cavaleiros, tendo mesmo um gancho para esse efeito, pelo que o ferimento na nuca pode ter tido origem no dito gancho que o puxou do cavalo abaixo, e, a cutilada pode ter sido de um primeiro golpe da lâmina (cutelo ou podão) da mesma alabarda, dado para o abalar e melhor desmontar… o ferimento menor e penetrante, pode ter sido de muita coisa… claro que digo isto sem qualquer presunção de CSI medieval! Eheheheh!

    Grande abraço!
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    Fernando Costa 08.04.2019

    Ó Pacheco,
    Não foi a Cristina que fez a autópsia, fui eu.O facto de dizer que estava apeado, quer dizer que foi desmontado do cavalo, pois só assim dava um reino para se sentir novamente numa garupa. Tivesse alguém entregue um cavalo ao Ricardo, decerto não lhe entregaria a coroa, mas certamente levaria a figura do animal ao timbre do elmo no brasão de armas. Se tivesse armadura, já nem sequer subia!...
    De facto, a alabarda servia para fazer desmontar os cavaleiros; hoje serve para enfeitar os guardas suíços da Guarda Suíça Pontifícia.
    O ferimento menor penetrante, segundo a "minha" autópsia (lida algures, parta não sujar as mãos) aponta para uma adaga.
    Tive de rever o texto, não fosse escrever garoupa por garupa e albarda por alabarda, uma vez que o corrector sublinha quase todos os quatro vocábulos a vermelho, à excepção de albarda.

    Grande abraço desde esta terra fria, onde ora chove.
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