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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

18
Abr17

Salazarismo

Maria do Rosário Pedreira

Américo Thomaz, o último Presidente da República do Estado Novo, é frequentemente recordado como uma figura patética: o caricato «corta-fitas» do regime fundado por Salazar com o apoio dos militares que cometia gafes e falava com exasperante lentidão. Bastará, porém, acompanhar a biografia que lhe traça Orlando Raimundo em O Último Salazarista para perceber que essa é uma perspectiva manifestamente redutora e que o seu papel como facilitador das manobras da ditadura ao longo de quase quarenta anos de vida política teve consequências bastante mais nefastas do que as anedotas que sobre ele se contam fariam adivinhar. Entre muitos episódios em que participou e que condicionaram a história portuguesa do século xx, a sua intervenção foi determinante quando traiu o general Botelho Moniz, fazendo abortar o golpe que iria derrubar Salazar, e no momento em que obrigou Marcello Caetano a assumir o compromisso solene de não abrir mão das Colónias. Como nos diz o autor do presente volume, na procissão dos devotos do salazarismo, ele «esteve sempre na linha da frente, a segurar o andor». Deste modo, justifica-se amplamente dar a conhecer essa outra face de um presidente da República que – pasme-se – era adepto da monarquia. Até para evitar que a tragédia possa dar lugar à farsa.

 

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3 comentários

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    António Luiz Pacheco 18.04.2017

    Severino... é moda ser anti-Isabel Jonet, porque sendo "tia" se atreveu e atreve a ser solidária, e faz mais do que participar em debates, trabalha para isso!
    Não podia discordar mais de ti, e nem sabia que ela fosse neta do A.T. ... isso é certamente um motivo para que ela não seja boa pessoa... devia ser internada num campo de reeducação, onde aprendesse que a solidariedade social é apanágio da esquerda, e assim passasse a participar em debates acesos com frases inflamadas, indo depois dali para o Bairro Alto com a consciência tranquila de que fizera algo pelos outros...

    Abraço truanesco!

    (Ó Puck, adorei esta minha classificação!)
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    ASeve 18.04.2017

    Mas ó Pacheco eu disse que ela não era boa pessoa? Lê lá bem; pelo contrário, até reforcei que estava a honrar e a dar continuidade à caridade que era timbre do avô e da avó Natalina, sobretudo nos Natais e nas Páscoas. Longe, muito longe de mim tal iníquo pensamento. Até porque, quanto a costumes, eu não sou de modas.
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