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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

06
Nov15

Santa ignorância

Maria do Rosário Pedreira

Nunca tinha estado com o padre e professor Anselmo Borges e, num almoço não há muito tempo, tive a sorte de ficar sentada ao seu lado e de o ouvir sobre vários assuntos com muito interesse. Às tantas, ele disse qualquer coisa de polémico e um jornalista que estava na mesa perguntou-lhe se podia publicar o que acabava de proferir. Ele concordou, mas pediu cuidado na reprodução do que lhe ouvira. É que, ao que parece, numa conferência que ocorrera uns meses antes, Anselmo Borges declarara que o futuro teria de passar pelo “ecumenismo”. Encontrava-se, pelos vistos, presente na sala da conferência uma jovem estagiária de um jornal que, nunca tendo decerto ouvido a palavra “ecumenismo”, redigiu a notícia do seguinte modo: Padre Anselmo Borges diz que o futuro terá de passar pelo “comunismo”. Dá vontade de rir, claro, mas é grave; e ainda temos sorte de, falando-se de futuro, não ter pensado nas novas tecnologias e inventado o “e-comunismo”. Enfim...

4 comentários

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    Beatriz Santos 06.11.2015 13:26

    ninguém consegue fazer um curso de humanidades sem ler um romance ou algo semelhante:; eles têm de fazer comentários a obras, apresentações orais sobre elas, e etc. Além disso logo na secundária - e mesmo antes - há obras de leitura obrigatória. Embora haja resumos e sebentas das mesmas, não creio que possam desprezar todas. Se acaso acontece, qualquer coisa está errada no processo... enão apenas do lado do aluno.
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    José Catarino 06.11.2015 15:05

    Beatriz: para entrar para o ensino superior basta ter 23 anos. Lá dentro, o aluno pode invocar - e ficarei surpreendida se soubesse quantos o fazem - dislexia. Entre eventuais reprovações, acaba por fazer o curso.
    No secundário, até à minha aposentação, em 2012, havia como obras de leitura obrigatória Frei Luís de Sousa, lido nas aulas + filme, Os Maias (sebentas + filme), e Memorial do Convento (visita de esludo a Mafra + sebenta e peça de teatro. Em cada turma, dois ou três alunos liam as obras. Como saberá, no exame de 12 ano é possível responder ãs questões sem ter lido integralmente a obra - caso ela saia no exame, o que é menos frequente do que se possa pensar.
    É, ou era, o processo que está errado.
    JCC
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    Beatriz Santos 07.11.2015 11:22

    Acho que se perdeu a seriedade, então. Porque sebentas sem leitura da obra são nada sobre o seu entendimento. E o objectivo é ser capaz de ler e entender o lido. Suponho que um crescimento mental.

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