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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

05
Set19

Sempre Lorca

Maria do Rosário Pedreira

A revelação do El País em 2012 da que seria provavelmente a última carta escrita por García Lorca, juntamente com um poema de amor inédito, teve uma enorme repercussão internacional. Trata-se de uma carta ao estudante de dezanove anos Juan Ramírez de Lucas, que em Julho de 1936, altura em que carta foi escrita, seria o namorado com quem Lorca planeava fugir para o México, sabendo porém que o rapaz não era maior de idade e precisaria de autorização do pai para deixar Espanha. É a última carta que Juan terá recebido do amante, antes de este ter sido fuzilado em Agosto de 1936 «por rojo y maricón», como refere o El País; e o que é mais engraçado: nem ao homem ao lado de quem viveu mais de trinta anos contou Juan desse seu relacionamento de juventude com Lorca, o que é incrível numa altura em que toda a gente quer reconhecimento público e as luzes da ribalta à sua volta. Sabe-se agora que, antes de morrer, Juan Ramírez deixou alguns documentos com a irmã, dizendo que gostaria de que um dia vissem a luz. Ela terá talvez partilhado a carta com o jornal, não sei. Fiquemos, então, à espera de que a família de Lorca (metade dela avessa à exposição, metade dela com vontade de partilhar tudo) se decida a mostrar-nos mais uns inéditos do grande senhor da poesia espanhola. (Esta história foi relembrada no último 18 de Agosto, data da morte do escritor, mas, apesar de a descoberta já ter uns anitos, vale sempre a pena falar dela.)

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