Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

10
Jul18

Sinceridade e meia

Maria do Rosário Pedreira

Quando se recusa um original por falta de qualidade, está-se na verdade a fazer um grande favor ao autor e aos leitores. Mas a pessoa que o escreveu, a menos que seja alguém muito especial que prefira ser poupado a um enxovalho e a críticas negativas a ter um livro publicado, não vê as coisas assim. É bem certo que custa deitar fora um manuscrito que representou provavelmente um grande investimento em tempo, emoções e às vezes investigação; mas frequentemente a recusa é mesmo a única solução... O escritor Mário Cláudio, que é muito generoso com os que vêm pedir-lhe opinião sobre os seus escritos, contou recentemente no Facebook algumas histórias maravilhosas a este respeito. Numa delas, uma senhora entregou-lhe uma “versalhada do seu punho” para uma avaliação, e o escritor foi sincero e disse-lhe que aquela poesia não tinha qualidade; ao que a madame, em lugar de encaixar o veredicto, ripostou que então iria mandar os poemas a Gunther Grass, que até sabia português, porque ele talvez gostasse. Tinha uma cunhada na Alemanha que era cabeleireira da mulher do romancista alemão e, portanto, não seria difícil lá chegar...

37 comentários

Comentar post

Pág. 1/2