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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

25
Jan17

Subserviência ou medo

Maria do Rosário Pedreira

Leio no The Guardian a notícia de que a Prémio Nobel da Literatura Svetlana Alexievich e mais de trinta outros escritores, entre os quais o autor de policiais de sucesso internacional Boris Akunin e o poeta Lev Rubinstein, deixam o PEN Club da Rússia, reagindo à expulsão de Parkhomenko, membro do staff e acusado de ser um provocador e querer destruir a instituição a partir do seu interior. Ao que parece, Parkhomenko, destituído pelos 15 membros da administração do PEN russo, não gostou que os colegas recusassem o seu pedido de apoio ao cineasta ucraniano Oleg Sentsov, a cumprir uma pena de 20 anos de prisão decretada pelo tribunal da Rússia por «actividades terroristas», e acusou no Facebook o mesmo PEN de não cumprir a obrigação de defender e promover a liberdade de expressão, como fazem todos os outros PEN em diferentes lugares do mundo. Svetlana Alexievich, na carta em que comunica o seu afastamento da organização, alerta para o facto de nos anos da Perestroika o PEN ter sido motivo de orgulho para os escritores russos, mas sublinha que agora a instituição os envergonha pela subserviência ao poder, o que só tinha acontecido – et pour cause – durante o estalinismo. E acrescenta que, um dia, Putin partirá, mas que esta triste página do PEN ficará gravada para sempre na memória de todos… Os escritores, é verdade, poderão até imortalizá-la.

5 comentários

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    António Luiz Pacheco 25.01.2017

    Vai certamente discordar e agastar-se comigo, como habitualmente, mas eu digo-lhe o que na minha opinião (vale o que vale...) mas o que tem o Mundo, é falta de gente de bem que seja decidida e interventiva!

    Gente de bem há, mas é passiva, só intervém dialogando, por palavras.
    Ora enquanto não perceberem que não é com diálogo que se combate o mal, o crime, a ditadura, o extremismo... não se vai a lado nenhum e eles, os outros, continuarão a impor-se porque o fazem de facto e não pela força das palavras, é pela força do músculo!
    Por isso o Mundo está assim, e contunuará enquanto nós nos limitarmos a votar sabendo de antemão que estamos a votar em gente que não cumpre, não faz e não quer saber de nós a não ser para votarmos neles e os sustentarmos.
    Fazem falta cruzados... heróis, porque os anti-heróis só no cinema e na literatura é que vencem e foram criados pelos fracos que não ousam, para se justificarem da sua própria timidez, das suas hesitações e da sua acomodação. Quem governa o Mundo sabe disso... sempre soube e sempre concorre para que cultive a passividade, a cobardia, o comodismo e o políticamente correcto que é um cancro social!

    Confunde-se autoridade com autoritarismo, decisão e força com opressão, crença e ideais com obscurantismo, sentido de união e pátria com xenofobia e falta de evolução, tradição e conservadorismo com ignorância e imobilidade, e enquanto assim for não há esperança.




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    Paulo Oliveira 25.01.2017

    Ena!, que confusão ai vai.
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    António Luiz Pacheco 25.01.2017

    Olhe que não Extraordinário Paulo Oliveira, quero dizer, pode estar confusa a forma como expus, mas não a idéia em si.
    Eventualmente o Paulo será daqueles que sendo alvo de uma agressão física tentará dialogar e convencer o agressor a falar antes consigo em vez de agredir... e não o critico, reconheço mesmo que é preciso ter coragem para isso, porém o que julgo saber é que não resulta! O agressor fica mais seguro de si e da sua capacidade de agredir, continuará a usar a agressão como forma de se afirmar e você fica magoado... é por isso que os tiranos e os opressores se perpetuam, por excesso de diálogo da parte contrária.
    Uma vez vi um slogan da NRA que dizia: "the only thing that stops a bad guy with a gun, is a good guy with a gun!" , ora concordo inteiramente com este ponto de vista.

    Um grande abraço!
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    Anónimo 25.01.2017

    "gente de bem"; "good guy"; "bad guy" - como se definem estes conceitos? Quem julga? Quem decide? Haverá "good guys with guns"?
    Se o mundo fosse assim tão fácil de explicar (como um episódio do "Bonanza")...
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