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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

11
Jul19

Títulos

Maria do Rosário Pedreira

Em todos estes anos de trabalho editorial, encontrei títulos francamente maus e nada apelativos nas primeiras versões de certos romances (que foi preciso alterar), mas também títulos óptimos que, por vezes, até prometiam livros melhores do que depois se revelavam. Pôr um título num romance ou num livro de poesia não é uma tarefa fácil, porque o título tem de sintetizar todo um programa ficcional ou poético e é aparentemente impossível dizer muita coisa em poucas palavras. Na imprensa,  mesmo assim, o título não tem de ser bonito, mas informativo e sintético. Noto, porém, de há uns tempos para cá como os títulos das notícias ultrapassam em larga medida a sua função. Falo por exemplo do facto de um jornal querer atacar um sistema político que não é da sua simpatia pondo títulos em parangonas que apontam para uma crítica a esse mesmo sistema e explicando depois em letra pequenina o contrário (e nós todos sabemos que muitos leitores só lêem as gordas). Um dia destes, por exemplo, o título de uma notícia fazia crer que os chefes militares queriam a trabalhar a tempo inteiro um soldado amputado (o que parecia chocante) quando, lendo as primeiras linhas, percebíamos que afinal os chefes o queriam no quadro permanente para que não sofresse dificuldades financeiras nem afastamento social. Enfim, uma coisa que devia ser directa tornou-se perniciosa, umas vezes por aselhice, outras por má-fé. Esperemos que a ficção não siga estas pisadas e passe a inventar títulos muito bons só para épater le bourgeois.

4 comentários

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    Anónimo 12.07.2019

    Ó Seve, talvez pela mesma razão que os treinadores de futebol agora são todos Mister: parolice!

    Maria
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    ASeve 12.07.2019

    Ó Maria curiosamente Mister é uma linguagem da tribo do futebol que não é de hoje nem de ontem, há certamente mais de meio século que Mister é uma palavra que os futebolistas sempre usaram, talvez por influência dos treinadores estrangeiros, nomeadamente ingleses que há décadas vieram para Portugal, porque nos anos 40, 50 praticamente todas as grandes equipas portuguesas eram treinadas por estrangeiros, treinadires pirtugueses eram raros.
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    Anónimo 12.07.2019

    Ó Seve, eu nunca me lembro de ouvir o Eusébio referir-se ao Béla Guttmann como Mister, but if you say so... eu acredito.
    E não vejo mal nenhum em usarmos nomes e expressões estrangeiras (parece que não é politicamente correcto) aliás, até sou uma das parolas que gosta de o fazer, if you know what I mean...
    Chef, Mister, Designer Gráfico, Top Model, Personal Trainer: a Língua Portuguesa aguenta tudo!

    Maria
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