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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

13
Mai21

Todo um mundo novo para aprender

Maria do Rosário Pedreira

Durante o primeiro confinamento, recebi o convite de uma escritora romena que vive no Reino Unido para colaborar num poema colectivo no qual terão participado, creio, mais de cem poetas do mundo inteiro, sobre o isolamento em pandemia. Aqui em Portugal, lembro-me de terem contribuído Ana Luísa Amaral e Nuno Júdice, por exemplo, mas havia poetas de todos os continentes, uns mais conhecidos do que outros. Quando chegava a nossa vez, tínhamos de ler o que até ali os nossos confrades tinham escrito e tentar que os nossos versos tivessem uma sequência lógica. Era também obrigatório escrever em inglês (uma espécie de língua que serve para todos) e, mais tarde, mandar um pequeno vídeo lendo os versos ao pé da janela da casa onde estivéramos em recolhimento obrigatório para, depois de montado, o poema surgir completo nas vozes de todos os autores. Era um poema no formato «Renga» japonês e a mentora chamou-lhe Poem of Self-Isolation. Depois de publicado numa revista romena, este poema longo vai agora ser traduzido e publicado numa revista literária no Japão. Avisaram-me ontem, pedindo autorização para a reprodução dos meus versos e uma curtíssima biografia. Até aí, tudo normal. Porém, logo a seguir perguntavam se tinha interesse em ser tratada por outro pronome que não o derivado da «cisgeneridade». Confesso a minha ignorância, tive de ir ver de que se tratava, e aprendi que a palavra se aplica quando a identidade corresponde ao sexo com que se nasceu (no meu caso, o pronome seria «ela», mas há quem se refira a si mesmo como «eles» ou de outras formas). De caminho, li uma data de coisas sobre cisgeneridade, trans, homenidade, não-binaridade, etc., e senti que estou a ficar um bocado velha para este mundo novo. Interroguei-me sobre se doravante tenho de inquirir os meus autores sobre se querem ser referidos nas badanas dos seus livros com pronomes diferentes dos «ele» e «ela» que lá estão, junto das suas fotografias que podem, pelos vistos, induzir em erro.

6 comentários

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    Artur 13.05.2021

    Grande poeta ! Tão esquecido ! Há 40 anos via-o a passear na Avenida Brasil ou à janela do sua casa.
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    FERNANDO COSTA 13.05.2021

    José Gomes Ferreira foi um senhor. Com muita honra concorri a um prémio literário onde ele foi júri, juntamente com Álvaro Salema e Maria Velho da Costa. Atribuíram-me o primeiro prémio. Só por motivos de doença ele não esteve na sessão dessa atribuição.
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    Artur 13.05.2021

    Infelizmente, eu nunca tive a felicidade de falar com o poeta José Gomes Ferreira. Parabéns pelo Prémio que obteve ! Já agora, poderia partilhar um pouco de informação sobre a sua obra premiada.
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    FERNANDO COSTA 13.05.2021

    Foi um prémio literário (conto) organizado pela então Junta Central das Casas do Povo, do Ministério dos Assuntos Sociais. Correu, a nível de País, em 1978, tendo eu recebido a comunicação do júri em 9 de Junho daquele ano. A obra teve por título "A Tia Júlia", que mais tarde foi integrada em livro, com distribuição Bertrand, no livro "Contos do Arco da Velha".
    A sede da Junta Central era na Avª Visconde de Valmor, 17 e 19. Ainda guardo o ofício, onde me asseguraram, na ida a Lisboa, as dormidas no Hotel do Reno.
    Utilizei o pseudónimo de Jofe.
    Este foi o 2º prémio literário, uma vez que já tinha recebido outro, em 1975, da RTP, com "O Ferro Velho" (Conto).
    O júri, como disse, era constituído por José Gomes Ferreira, Maria Velho da Costa e Álvaro Salema, tendo os dois últimos oferecido um livro da sua autoria, devidamente autografado, enquanto o primeiro, embora com a oferta do livro, não esteve presente, por motivos de saúde.
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    FERNANDO COSTA 13.05.2021

    Para complementar a informação do prémio da RTP (e já estou a falar muito sobre mim, então um rapazinho de vinte e pouco anos) no júri estava o Professor Joaquim Manuel Magalhães (presumo que foi professor da Rosário, na Faculdade) e o produtor do programa, onde fui entrevistado e passou a obra premiada, era o sr. Melo Frazão, um ícone da televisão portuguesa.
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