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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

13
Nov19

Torga outra vez

Maria do Rosário Pedreira

Alguém me contou que Miguel Torga era forreta e raramente oferecia livros; e que era bastante avesso a autografar. Li também algures que uma vez, recebendo um recado de Amália Rodrigues dizendo que estava no andar de baixo em casa de amigos e, tendo descoberto que ele morava ali (ou tinha o consultório, já não sei), o queria conhecer, este mandou pela mesma via a resposta de que não tinha qualquer interesse no encontro com a fadista. Consta que não era um homem fácil, mas lá que era bom no que fazia isso não se pode negar – e se calhar só não ganhou o Nobel da Literatura por, no seu tempo, ser tremendamente difícil conseguir ser traduzido e publicado no estrangeiro. Não há, porém, qualquer dúvida de que era um escritor de mão cheia – e hoje, se quiser ser honesta, talvez lhe atribua uma boa parte da minha curiosidade livresca, pois foi, entre outras coisas, com os seus Contos da Montanha que, muito novinha, me apaixonei pela literatura. Depois vieram Os Bichos, os poemas, os diários; mas por acaso nunca li o seu único romance, Vindima, publicado em 1945, que, segundo um texto de Fernando Pinto do Amaral, trata das injustiças sociais vividas no Douro Vinhateiro nesse tempo e tem uma abordagem próxima do neo-realismo. O livro acaba de integrar aquela colecção que o Público está a fazer, de médicos-escritores, e sai dia 19. Vou decididamente espreitar.

Em tempo: Hoje começa o The Pessoa Festival com uma programação muito boa, conduzida por Mirna Queiroz, directora da revista Pessoa. Está tudo aqui:

https://www.revistapessoa.com/artigo/2862/the-pessoa-festival-chega-a-lisboa

 

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