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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

19
Mai20

TPC

Maria do Rosário Pedreira

Quando eu era pequena e andava na escola primária, lembro-me de levar para casa aquilo a que os adultos chamavam então «deveres», tarefas que «devíamos» cumprir, relacionadas com a matéria que estávamos a aprender: umas contas, uma cópia, uma pequena composição, por vezes ilustrada com um desenho. Não me lembro de nada disto pesar excessivamente no meu horário não escolar, por isso tenho ideia de que era pouca coisa de cada vez. Hoje, pelo contrário, ouço dizer sistematicamente que os miúdos vêm para casa carregados de TPC desde a mais tenra idade, o que lhes tira todo o tempo que têm para brincar (quando não são os pais que os inscrevem em mil actividades extracurriculares para os ocupar de forma que cheguem a casa exaustos e a querer apenas jantar e dormir). Não sei se corresponde realmente à verdade, mas talvez os miúdos precisem de respirar fundo e brincar mais quando chegam a casa. Pelo menos, foi o que sentiram dois colegas de 9 anos, vizinhos um do outro e também do  respectivo professor, que, na vizinha Espanha, acharam exagerados os trabalhos que o mestre marcava, especialmente em fase de confinamento; e não estiveram com meias medidas: foram ao prédio dele e cortaram-lhe os fios que lhe permitiam ter wi-fi e dar aulas à distância! Diz quem partilhou esta notícia que se tratou de «empreendedorismo infantil». Eu cá falaria de mini-revolucionários, o que é um óptimo sinal. Tudo quanto é demais é erro.

Em tempo (tinha-me esquecido de recomendar o livro e lembrei-me por causa do comentário do Extraordinário Pacheco): Como falei de miúdos, falemos de um dos livros que, no meu tempo, todos os jovens liam. Trata-se de O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos. Li nas férias em que fazia dez anos e chorei como uma Madalena, mas aprendi decididamente o que era a empatia. Alberto Manguel diz que lhe aconteceu o mesmo com Coração, de Edmondo de Amicis. Não são sempre os grandes livros que fazem de nós leitores e pessoas solidárias.

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