Um género sem género
Com a minha experiência ao longo dos anos, vejo-me mais ou menos obrigada a concluir que o género denominado «thriller» (não consigo traduzir, desculpem, e não, não é um policial), com bastante suspense, reviravoltas inesperadas e o efeito de nos deixar por vezes nervosos ou ansiosos, é mais lido por homens do que mulheres. E, porém, encontro no The Guardian um interessante artigo que refere que muitos dos mais significativos thrillers psicológicos foram escritos justamente por mulheres. Desde logo, o agora bastante badalado Ripley (O Talentoso Mr Ripley, assim se chama o livro), assinado por uma mestra do suspense, Patricia Highsmith, que inventou esta personagem tremenda e sonsa que se aproxima de um velho colega rico, o mata e depois se faz passar por ele, vivendo a vida de rico que sempre ambicionou. Mas também há uma menção a Daphne du Maurier e ao seu incomparável Rebecca, de que Hitchcock fez um filme inesquecível com Laurence Olivier no papel do viúvo que traz a nova mulher para a sua propriedade isolada, onde a governanta não a deixará sossegada, contando constantemente como era no tempo da falecida. Podemos ainda falar de livros como A História Secreta, de Donna Tart, sobre um grupo de estudantes que mata um colega logo na primeira página, ou Em parte Incerta, de Gyllian Flynn, ou mesmo o mais recente best seller A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins. Afinal, parece que também há mulheres dadas ao género, contrariando os dados oficiais...

