Um pacho contra a solidão
Leio numa rede social uma frase do saudoso Paul Auster (de quem li muitos romances e que tive o prazer de conhecer pessoalmente em Lisboa) que faz tocar uma campainha na minha cabeça. Diz o seguinte: «A literatura é essencialmente solidão. Escreve-se em solidão, lê-se em solidão e, apesar de tudo, o acto de leitura permite uma comunicação entre dois seres humanos.» Quando disse ainda agora que tocou uma campainha na minha cabeça, disse-o porque nos meus e-mails, junto da assinatura, acrescentei uma frase de C. S. Lewis que complementa a de Auster: «Lemos para saber que não estamos sozinhos.» Acho que quem lê e escreve sabe disso melhor do que ninguém, o que falta é convencer as pessoas em geral de que estão muito mais bem acompanhadas por um bom livro do que por horas e horas nas redes sociais a ler tantas vezes coisas agressivas, pobres e imbecis. Se, como diz o povo, «burro velho não aprende línguas», temos de começar pelos mais pequenos. Um filho único, por exemplo, ficará muito menos sozinho com um livro na mão.

