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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

16
Jul19

Uma história bonita

Maria do Rosário Pedreira

Juan Cruz, que foi o grande editor da Alfaguara e que vi moderar um debate maravilhoso há anos com Herta Müller e Vargas Llosa, escreve uma bela crónica no jornal El País. No último sábado falava de um encontro em torno da edição em que a leitura tinha sido apontada pelo filósofo Gregorio Luri como a experiência deleitosa que salvaria a Espanha (e o mundo) da mediocridade e contou uma história bonita. O actual director do Departamento de Neurocirurgia Pediátrica no Centro Johns Hopkins, um posto muito importante, era filho de uma empregada doméstica analfabeta. Mas a sua mãe, que trabalhava em várias casas, percebeu que os patrões que liam e tinham bibliotecas em casa eram os que mais sucesso tinham; assim, racionou a televisão na sua própria casa, obrigou os filhos a ir à biblioteca todas as semanas, a ler livros e a resumir as suas histórias, e até fingia corrigir esses resumos (os filhos só muito mais tarde compreenderam que ele não sabia ler). A descendência foi toda mais longe do que ela e hoje reconhece que, se não fosse a mãe e os livros, o mais certo era isso não ter acontecido. Gregorio Luri diz que a semente tem de ser plantada muito cedo para haver uma boa colheita mais tarde. E eu concordo.

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