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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

03
Abr18

Vergonha?

Maria do Rosário Pedreira

Apesar de se ler cada vez menos (falo de literatura, e não de SMS ou murais de redes sociais) – e de algumas pessoas fazerem arrogantemente alarde da sua ignorância –, a verdade é que ainda há muito quem se envergonhe de não ter estudos (por isso mentem tantos políticos a propósito dos seus currículos) e de não ter lido as obras que certos académicos consideram obrigatórias ou fundamentais (o Proust, claro). Muita gente do meio intelectual tem mais dificuldade em confessar, junto de confrades ou publicamente, as suas lacunas quanto à leitura de uns quantos títulos – alguns ficam calados no meio de uma conversa entusiasmada (e isso nota-se); outros, mais afoitos, metem a colherada na conversa com generalidades que denunciam em três tempos a sua falta de conhecimento. Mas… com tanto livro, como ler tudo? Eu, que vivo à procura do novo e publico o contemporâneo, como vou alguma vez ter tempo para ler tudo o que está para trás e falhei por qualquer razão (o Ulisses de Joyce, por exemplo)? Devo ter vergonha dessas minhas lacunas? Claro, mas que fazer? Hanif Kureishi, num interessante questionário que o The Guardian propõe de vez em quando a escritores, confessa que nunca leu uma  linha de Jane Austen, confissão que, vinda de quem vem, considero um acto de coragem extraordinário. A seguir diz: «My shame is big.» Mesmo assim, a verdade a acima de tudo.

4 comentários

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    Anónimo 03.04.2018 09:24

    Mais um ignorante anónimo,
    Que fazer ??
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    Anónimo 03.04.2018 10:44

    Sendo assim somos 2 anónimos ignorantes, não é?
    Folgo em saber.
  • Sem imagem de perfil

    Margarida 03.04.2018 12:52

    Não entendo o porquê de chamar ignorante.

    O 1º anónimo foi em busca da entrevista e colou aqui a resposta do entrevistado. Não se ficou pelo que lhe deram a provar e quis saber tudo. Ao contrário de muitos hoje em dia.
    Não ler um escritor ou escritora porque se acha, atenção acha!, que escreve para um certo género, é, no mínimo preconceituoso.
    Não sendo o kureishi um rapazola com cérebro pouco desenvolvido, concordo e acho vergonhoso.
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