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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

30
Out15

Vive la France!

Maria do Rosário Pedreira

Cai-me no colo um interessante artigo sobre algumas medidas praticadas na capital francesa para defender as livrarias tradicionais. Não é que não fechem também em Paris algumas lojas, sobretudo com a concorrência feroz da Amazon.fr (que tem «espaço» para todos os livros e faz os envios em vinte e quatro horas); mas a Câmara de Paris não quer de modo algum o fim do comércio tradicional e, num país com grande tradição de leitura, está atenta aos livreiros que precisam de ajuda. Os que pagam em salários 12% ou mais da sua facturação têm, por exemplo, isenção de impostos e, além disso, direito a um subsídio para actividades de promoção de livros de fundo (sublinho de fundo) na loja. Uma empresa semipública comprou por toda a cidade espaços livres ou abandonados em ruas de comércio (650, dos quais 60 são livrarias) e aluga-os por rendas baixas, a cerca de metade do preço de mercado. Além disso, conscientes da importância das livrarias tradicionais num país onde a compra de e-books é ainda ínfima, os editores reuniram-se e criaram um fundo que permite a novos livreiros começarem a actividade sem pagarem nada antes de dois anos decorridos... Por outro lado, as livrarias conseguiram também unir-se na realização de um site colectivo, no qual difundem uma agenda de actividades e – pasme-se! – o cliente pode procurar o livro que quer e saber logo quais são as livrarias que o têm à venda, indo à mais próxima (e assim evitando uma visitinha à Amazon). Boas ideias vindas de França.

2 comentários

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    Joaquim Jordão 30.10.2015

    De facto, é impressionante a quantidade de pessoas que, em Paris, vemos a ler – ele é nas esplanadas, ele é nos transportes públicos, nas salas de espera...

    Nesta última vez que lá estivemos, uma bela tarde de sábado a minha mulher, cansada de tanto passear, resolveu ficar a trocar miminhos com o nosso netinho, e eu fui a pé por ali acima para visitar a Médiathèque Marguerite Duras, na zona de Charonne , a norte do cemitério Père-Lachaise.

    Só na pequena parte da Rue de Bagnolet que percorri encontrei duas fabulosas livrarias (cujos nomes, pardon , não fixei), cheias de gente, as caixas registadoras sempre a tilintar.

    Depois a Médiathèque .
    O edifício, inaugurado em 2010, foi concebido pelo arquitecto Roland Castro, velho militante de várias causas, entre as quais a mais recente é “a concretização de utopias”.
    Pois bem, aqui acertou em cheio: uma verdadeira multidão, gente de todas as idades e de todas as origens, utilizava naquela tarde todas as salas (de leitura, de estudo, de visionamento de vídeos, audição de música, literaturas especializadas, etc ).

    Fiquei vaidoso por ter lá encontrado uma estante dedicada à literatura portuguesa, com muitas obras na nossa língua, e também bastantes de Pessoa e algumas de Sophia , Eugénio de Andrade, Herberto, etc , editadas em francês – todas muito requisitadas, ao que me informou uma gentil funcionária.

    Gostaria de ter ido ao terraço, de onde parece que se tem uma vista interessante sobre Paris (o edifício situa-se numa parte elevada da cidade), mas isso, afinal, só em visitas de grupo e previamente agendadas.
    A gentil funcionária desfez-se em desculpas, fazendo-me ver que até gostaria de dar um jeito, mas, com tanta gente para atender, não tinha um único funcionário disponível para me levar lá acima.
    Ainda bem que assim é. Não fiquei nada chateado. Pelo contrário.
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