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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

13
Jan16

Votar? Não.

Maria do Rosário Pedreira

Recentemente, o Diário de Notícias foi medir o pulso à juventude e inquirir alguns dos que votariam pela primeira vez nas próximas eleições presidenciais sobre as suas opções, esperanças e opiniões. Digo «votariam», e não «votarão», porque o desinteresse patente nas respostas é tão gritante que a maioria dos inquiridos não conhece sequer os candidatos (incluindo o Professor Marcelo, que aparece na televisão há anos em horário nobre pelo menos uma vez por semana; o melhor que o jornalista conseguiu dos jovens foi «Já ouvi falar.» ou «Sei quem é, mas não sabia que era candidato»). Dois estudantes da Faculdade de Medicina do Porto (um transmontano e uma açoreana) dizem que estudam Anatomia dez horas por dia, não vêem televisão há séculos e a política não lhes interessa, pelo que não fazem tenções de ir às cidades onde estão recenseados só para votar. Mas não se pense que é a exigência dos exames que se aproximam que os afastou de poder/dever participar nos destinos da nação; dizem estes e outros entrevistados que não têm nada que ver com política, não percebem patavina do assunto e até é bom não irem votar, porque podiam fazer asneira, dada a sua falta de consciência política. À pergunta se é de esquerda ou de direita, uma rapariga de 21 anos que estuda na Faculdade de Letras afirma ser de direita «por uma questão familiar» (hereditariedade?), mas que não fala de política com os amigos nem sabe o que eles são. Safa-se uma estudante de Psicologia, que se diz de esquerda e louva o aparecimento de candidaturas de mulheres. É a única do grupo que vai às urnas. A abstenção louca a que temos assistido – e que vai sempre aumentando – tem seguramente aqui parte da sua explicação. Será que daqui a uns anos valerá a pena imprimir boletins de voto? Francamente, não sei. Terá a juventude de sofrer na pele para perceber que a política lhe diz respeito? Espero que não.

4 comentários

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    António Luiz Pacheco 13.01.2016

    Bem observado e é no entanto comum dizer-se isso, se me permite... porém eu tenho uma opinião algo diferente: O problema reside no facto de que os políticos (ainda na monarquia) nunca gostaram do povo! Sempre governaram contra ele e tiveram como objectivo fazer de nós outro povo que não portugueses... quiseram e ainda pretendem fazer-nos ingleses, franceses, russos, albaneses, finlandeses, gregos... nenhum prócer, político ou intelectual gosta do seu povo, daquele que ouve o T. Carreira, vê novelas, vai às feiras, gosta de vinho, praia e sardinhadas... esse o grande problema! Apareçam políticos, mínimamente inteligentes e não cromos de Rans, que assumam uma parte da nossa pirosice endémica e genética, fora outras características psicossomáticas muito nossas, se bem que discutíveis, e teremos quem sabe se um povo feliz e um país mais luminoso!

    Saudações de um piroso na Cidade Morena
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    Emílio Miranda 13.01.2016

    Pois... respeito a opinião que, quanto a mim, sim, é aquela que normalmente é defendida, porque nos responsabiliza a todos, cidadãos. Não estou com isto a dizer que não somos um povo generoso, abnegado, trabalhador, etc., etc., mas quando descemos os degraus das escadarias de poder, verificamos que nos níveis mais baixos se cometem o mesmo tipo de erros, falhas e, até, desonestidades. Não é o tamanho que importa, é o acto em si... Mas, enfim, esta discussão levar-nos-ia muito longe e reconheço que não é consensual, mas a verdade é que vivemos num mundo de acção/reacção. Faz-se o que é permitido e fazem-nos o que permitimos... Por isso, lamento, meu caro, mas mantenho que os políticos só mudarão quando a massa mudar e não o contrário. Abraços e obrigado pelo seu comentário.
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    Emílio Miranda 13.01.2016

    * nos desresponsabiliza a todos - assim sim!
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